Iniciar a prática clínica pode ser um desafio para psicólogos recém-formados. A primeira sessão representa um momento delicado, cercado de expectativas, dúvidas e, muitas vezes, ansiedade de ambos os lados. Em nossa experiência, identificamos sete erros de postura bastante comuns que podem ser evitados para tornar esse primeiro contato mais construtivo e acolhedor.
Primeira impressão: uma construção consciente
Acreditamos que a primeira impressão é mais do que uma questão de simpatia ou aparência. Ela depende diretamente da postura profissional, da clareza no comunicar e da atitude diante do sofrimento do outro.
O modo como nos posicionamos determina o tom de toda a trajetória terapêutica.
Por isso, observar a própria postura nessa etapa inicial não é um detalhe, mas uma condição para criar espaço seguro para o paciente e construir uma aliança genuína. Agora, apresentamos os sete erros mais comuns que observamos nos psicólogos iniciantes.
Sete erros de postura na primeira sessão
1. Querer solucionar tudo na primeira conversa
O desejo de oferecer alívio ou respostas rápidas é compreensível, queremos sentir que estamos ajudando. No entanto, a primeira sessão não se trata de resolver o problema, mas de conhecer o paciente. Escutar com atenção, sem pressa de interpretar ou concluir, oferece um lugar de confiança e respeito.
2. Focar excessivamente no próprio roteiro
Muitos iniciantes trazem roteiros ou perguntas previamente elaboradas e tentam segui-los à risca. Apesar de buscar organização, essa postura pode gerar distanciamento, dificultando a espontaneidade e o acolhimento. Adaptar o percurso conforme o que o paciente traz faz toda diferença.

3. Subestimar o impacto das próprias emoções
É comum sentir nervosismo ou insegurança no começo. Ignorar essas emoções ou tentar escondê-las totalmente pode tornar a interação engessada. Assumir com humildade que também estamos em processo nos torna mais humanos e acessíveis.
Reconhecer e integrar nossas emoções é um passo para criar encontros autênticos.4. Dificuldade em sustentar silêncios
O silêncio faz parte do processo. Muitos tentam preenchê-lo imediatamente, seja com perguntas, informações ou comentários irrelevantes. Permitir momentos de pausa, sem ansiedade, mostra respeito ao tempo interno do paciente.
5. Falta de clareza sobre limites profissionais
Certos psicólogos iniciantes acabam ultrapassando fronteiras, como expor demais sobre si mesmos ou adotar um tom excessivamente informal para "quebrar o gelo". Isso pode gerar confusão ou diminuir a confiança na relação profissional. Manter limites éticos e clareza sobre o papel do terapeuta transmite segurança ao paciente.
6. Minimizar a importância do contrato inicial
Explicar as regras básicas, como frequência, duração de sessões, valores, sigilo, parece algo burocrático, mas é uma etapa de extrema relevância. Esse cuidado evita ruídos, gera referência e contribui para a maturidade da relação terapêutica.

7. Esquecer o foco na escuta
Por inexperiência ou ansiedade, alguns iniciantes falam mais do que escutam, comentam cada frase do paciente ou tentam “mostrar serviço” com explicações prematuras. O foco da primeira sessão deve ser, acima de tudo, ouvir. Uma escuta presente é o maior convite para que o outro se abra.
Como evitar esses erros?
Esses equívocos não são julgamentos, mas aprendizados. Cuidar da postura exige constante autopercepção. Elencamos algumas atitudes para fortalecer esse processo:
- Preparação emocional: reserve um tempo antes da sessão para se conectar com seu propósito e reconhecer suas emoções do dia.
- Reflita sobre suas expectativas: questione-se sobre o que espera desse encontro e o quanto está projetando isso no paciente.
- Organize informações práticas: tenha clareza sobre o funcionamento do consultório, contrato e procedimentos, para explicar de modo sereno e seguro.
- Aposte na simplicidade: permita-se estar presente, sem buscar respostas prontas.
- Lembre-se: toda escuta verdadeira nasce do respeito e da disposição para encontrar o outro, sem pressa ou julgamento.
Sensibilidade e maturidade: a postura que transforma
Ao longo do tempo, percebemos que postura não se resume a habilidades técnicas ou conhecimento teórico, mas ao modo como nos relacionamos com cada nova história que chega até nós. A maturidade do psicólogo está em sustentar sua presença, suportando o desconhecido e respeitando o ritmo do paciente.
A autopercepção constante é o que diferencia uma postura técnica de uma postura verdadeiramente humana.
Por isso, nos comprometemos a apoiar psicólogos iniciantes a construir uma presença sensível e ética, capaz de sustentar percursos de transformação autêntica desde o primeiro encontro.
Conclusão
Começar a praticar a clínica carrega muitos desafios, mas também oportunidades de aprofundamento pessoal e profissional. Se evitarmos os sete erros de postura mais comuns na primeira sessão, teremos mais chances de construir relações terapêuticas sólidas, baseadas em confiança, respeito mútuo e responsabilidade.
Cada novo paciente é uma nova travessia. Fortalecer nosso olhar e nossa postura é um compromisso que se renova a cada encontro.
Perguntas Frequentes
Quais erros evitar na primeira sessão?
Devemos evitar tentar resolver todos os problemas no primeiro encontro, seguir rigidamente roteiros, ignorar nossas emoções, não sustentar silêncios, ultrapassar limites profissionais, não explicar acordos básicos e falar mais do que ouvir. Manter atenção a essas atitudes contribui para um início mais respeitoso e seguro.
O que faz um psicólogo iniciante errar?
Os erros geralmente surgem por ansiedade, insegurança e a vontade de mostrar competência rapidamente. A inexperiência pode levar a posturas defensivas, excesso de formalidade ou, ao contrário, informalidade em excesso. Reconhecer tais padrões é fundamental para o aprimoramento.
Como criar confiança na primeira sessão?
A confiança nasce da escuta atenta, do respeito com o ritmo do paciente e da clareza ao explicar o funcionamento do processo. Demonstrar presença, acolhimento e firmar limites claros são pilares para a criação dessa confiança mútua.
Como lidar com o nervosismo inicial?
Aceitar o nervosismo como parte natural do aprendizado é o primeiro passo. Respirar, preparar-se antes da sessão e focar na escuta contribuem para lidar com o nervosismo. Ninguém começa sabendo tudo, e a humildade diante do novo fortalece a autoconfiança gradualmente.
Vale a pena estudar casos antes?
Sim, estudar casos pode ampliar repertório e tranquilizar o iniciante. Porém, é importante não se prender a expectativas rígidas, pois cada paciente é único. O preparo é relevante, mas a flexibilidade diante do desconhecido é o que sustenta uma postura madura na primeira sessão.
